A atividade cerebral do bebê

Texto extrato do excelente livro de André Trindade, “Gestos de Cuidado, Gestos de Amor” (Ed. Summus, 2007)

“Nos três primeiras anos de vida, a atividade cerebral humana e tão intensa que supera a também enorme atividade do cérebro de um adolescente em fase de prestar vestibular. No primeira ano, o cérebro do bebe lembra mais o de um adulto do que de um recém-nascido. Na idade de 2 anos, o cérebro da criança é tão ativo quanta o de um adulto.
Ao nascer, o bebe humano terá cerca de cem bilhões de neurônios. E são essas células nervosas que ele vai utilizar por toda sua vida. Portanto, o aumento de peso e volume, ou seja, o crescimento do cérebro nesses primeiras anos, ocorrera não pela aquisição de mais neurônios, mas pela formação de sinapses – conexões entre os neurônios, que formam circuitos responsáveis por ligar diferentes áreas do cérebro. Poderíamos dizer que o bebe está ocupando e reconhecendo esse complexo instrumento chamado cérebro. Em nenhum outro momento da vida, essa atividade e expansão serão tão intensas.

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Observando a rotina de uma criança em seus primeiras anos de vida, custamos a imaginar que atividades tão corriqueiras de seu cotidiano possam gerar tanta atividade cerebral. O bebe dorme, acorda, chora, mama, movimenta-se, reconhece sons, distingue vozes, cheiros e imagens. Percebe seu corpo no espaço no colo, no banho, na troca de fraldas, aprende a sentar, ralar, torcer, engatinhar, andar. Alcança objetos, observa-os e lança-os longe. Reconhece os sons de seu corpo: da respiração e dos batimentos cardíacos, que variam de acordo com os estados emocionais, possibilitando que aos poucos ele possa criar, de acordo com os diferentes ritmos, nuanças entre um estado e outro, identificando seus sentimentos.
Escuta os sons do tubo digestivo, relaciona-os com a sensação prazerosa de seu estomago distendido pelo preenchimento do alimento. Reconhece a sensação de preenchimento e esvaziamento em outros órgãos: do ar nos pulmões, da pressão do sangue nas cavidades do coração e nas veias e artérias. Sente que esta vivo e que pulsa, reconhece a noção do tempo. Brinca.
Sente a falta da mãe e também sua presença. Sente o prazer do toque afetuoso, do carinho. Sente o amor.
Seduz e encanta. Com essa sedução, envolve o adulto cuidador para que ele atenda as suas necessidades.
Demonstra sua fragilidade e desampara. Sabe reclamar chorando, enrubescendo, esperneando. Enquanto dorme, sonha, demonstrando que e capaz de imaginar e memorizar.
Serão as experiências vividas por esse pequeno ser humano que imprimirão em seu cérebro caminhos, atalhos e trilhas que ele utilizara pelo resto da vida para relacionar-se com outros humanos, “amar, desamar, amar” (Carlos Drummond de Andrade), sonhar, imaginar, construir as filosofias, as matemáticas, as ciências, as artes.”